31/10/2021

5 Estágios do Luto: O Paciente

Para ler este texto, espero que você tenha lido antes o texto Introdutório sobre os 5 estágios do luto. Peço para que leia porque ele faz parte do processo dos estágios.

Caso já tenha lido, vamos conversar sobre os 5 estágios de luto da Kübler-Ross voltados para os pacientes?

1º Estágio do luto: negação

É vista como a fase mais dolorida porque é o momento do susto. 

  • "Deve ter algo de errado com o exame".
  • "Eu quero ir a outros médicos".

Como eu escrevi no texto Introdutório, de acordo com a médica Kübler-Ross, o inconsciente acredita ser imortal, e como estamos sempre nos defendendo da morte, o ego irá nos proteger, e nos fará negar a informação por algum momento.

Ela também é considerada como o estágio do isolamento. Nessa hora parece impossível lidar com a notícia e mesmo acreditar no que aconteceu. Como eu disse anteriormente, estamos inconscientes da morte, e quando se recebe essa notícia, o paciente se defende daquela realidade.

Do mesmo modo que cada pessoa poderá atravessar todos os estágios, outros poderão atravessar ao menos dois, e a reação sobre a informação pode variar de acordo sobre como cada um lida com este ciclo.

O próximo estágio tem a ver com a aceitação parcial da situação. 

2º Estágio do luto: raiva

É um período que a pessoa pode querer falar sobre o assunto, talvez ir a outros médicos, e depois do diagnóstico se repetir, se fechar novamente para si na tentativa de elaborar as informações.

A raiva pode sobrecarregar não somente a pessoa, mas os familiares e a própria equipe multidisciplinar responsável por aquele paciente. A repulsa por este diagnóstico chega a todos os envolvidos. 

Lidar com o comportamento agressivo do paciente é desafiador e requer paciência e conversa dos envolvidos.

  • "Por que isso está acontecendo comigo?"
  • "Eu me alimento bem, eu cuido da minha saúde"
  • "Com tanta gente ruim no mundo, por que logo EU?"

É um momento de inconformidade. Esse é o período da revolta, da rebeldia, do descontrole emocional e dos ressentimentos.

3º Estágio do luto: barganha

A negociação ganha forma, a tentativa de fazer promessas e acordos se fazem presente.

  • "Eu vou ser mais gentil, eu vou fazer mais doações".
  • "Eu vou trabalhar menos, cuidar mais da minha família".
  • "Eu vou cuidar mais da minha saúde"

Com outras palavras, é uma negociação para aliviar a dor da situação da qual se está inserido. 

A pessoa com a doença terminal já não consegue mais fazer as atividades que antes fazia. Muitas das vezes a rotina pode mudar completamente, ao ponto de ficar longas horas em hospitais e médicos. A pessoa que era muito ativa, passa a ficar mais reflexiva sobre as questões da vida. 

A barganha é basicamente quando a negação e a raiva não mudaram a situação da pessoa, e inconscientemente as tentativas de promessas e acordos surgem para que tudo volte a ser como era antes. 

4º Estágio do luto: depressão

Assim como descrevi no estágio anterior, a rotina da pessoa mudou completamente, muito do seu dia a dia está voltado agora a visitas aos médicos e hospitais; seus horários agora são regrados com as medicações.

Este é um estágio que pode se fixar na vida do paciente; a sensação de não ter mais perspectiva de viver é muito forte. A necessidade da família e amigos se unirem é grande, até mesmo porque essa pessoa pode se afastar do convívio social. 

O que envolve a depressão?

Assim como eu disse no vídeo, eu repito aqui no texto: caso você esteja com sintomas de depressão e/ou conhece alguém que possa estar vivenciando este estágio, busque ajuda de um profissional da área da saúde.

Em síntese, a depressão envolve melancolia, desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro, impotência, entre outros.

5º Estágio do luto: aceitação

Já não há o espaço para a negação, e a raiva não faz mais sentido. A perspectiva da pessoa muda, e a sensação do vazio é substituída por outras experiências. É um momento comum da pessoa querer conversar com as pessoas mais próximas ou recorrer às que já não tinham muito contato.  

Existe um 6º elemento que percorre todos estes estágios mencionados que é a Esperança. A esperança faz parte de todo o ser humano, assim como o medo, por exemplo.

Do mesmo modo que este elemento pode surgir em algum dos estágios, ele pode desaparecer, e voltar em outro momento, quando um médico, por exemplo, comenta sobre com o paciente sobre um estudo que está sendo realizado pra cura da doença que ele está vivenciando.

A Terapia do Cuidado Paliativo

Base de uma árvore com folhas caídas

No meio desses estágios e avanços em relação ao tratamento do paciente, surge a Terapia do Cuidado Paliativo.

Quando não existem mais medicamentos terapêuticos que possam promover a cura, os médicos/familiares/paciente podem optar pelos medicamentos paliativos que servem mais para aliviar a dor, tanto a dor física como a dor humana, a dor da pessoa mesmo e dos envolvidos no processo. 

Quando estudamos Cuidado Paliativo, percebemos que em países como os EUA e os da Europa, a prática é muito mais evoluída. No entanto, ela vem ganhado força também por aqui: não é à toa que eu estou escrevendo este texto para você.

O cuidado paliativo está presente em alguns hospitais e algumas clínicas oncológicas. Muitos profissionais da área da saúde (médicos, enfermeiras e psicólogos) estão se especializando neste modelo para que estes pacientes sejam tratados de maneira mais HUMANANIZADA.

Com uma equipe multidisciplinar (e eu me atrevo até mesmo de inserir os familiares e o próprio paciente), as possibilidades de VIDA são discutidas e trabalhadas, mesmo com um diagnóstico terminal.

Espero ter contribuído com suas dúvidas! Nos vemos na próxima! Abraços! 

Referências bibliográfica: KUBLER- Ross, E. “Sobre a morte e o morrer”: 8ª Ed., Martins Fontes. São Paulo, 1998.

Observação: os textos expostos possuem função reflexiva e/ou informativa, sem o intuito de aprofundamentos terapêuticos. A publicação de certos temas atua de maneira generalizada, sem fins específicos. Não substitui psicoterapia.

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