31/10/2021

Como melhorar meu autoconhecimento?

Quem você era quando criança? Quais eram os sonhos que você tinha? O que mais gostava de fazer? Quais eram as perguntas mais feitas? Quem eram os adultos que você buscava resposta devido à confiança? Você acredita que a sua criança estaria feliz com o adulto que se tornou? Quem era você na escola, na família? Quais eram as brincadeiras que te traziam sorrisos? Como ficava quando perdia ou ganhava? Quem acolhia seus choros?

Você consegue se lembrar do seu passado? Na fase adulta é muito comum se esquecer da essência da infância, afinal, as exigências surgem até mesmo antes de próprio nascimento, quando os pais, devido às suas próprias expectativas, planejam os possíveis futuros do feto em gestação.

Perceba a profundidade do processo da sua vida.

Como um rio, a vida te carrega, e no meio das tarefas da escola, faculdade, trabalho e família você perde a sua essência mais pura; os porquês já não fazem mais tanto sentido, afinal, pela sua experiência de vida, as “certezas” criaram raízes tão firmes que nem um furacão teria a capacidade de mudar suas opiniões e crenças, não é mesmo?

O que é Arquétipo de Self e Processo de Individuação?

Como apoio teórico, trago a perspectiva do Carl Gustav Jung,  psiquiatra e psicoterapeuta suíço,  responsável por fundar a Psicologia Analítica, que dentre diversos outros trabalhos, destaco o Arquétipo do Self e o Processo de Individuação.

O Arquétipo do Self

O Arquétipo do Self é o centro da psique, ou seja, é o responsável por ordenar a totalidade psíquica na estrutura mental. Por ser o centro do todo, ele é a totalidade que inclui o consciente e o inconsciente. É o arquétipo mais importante de todos devido à sua tarefa de harmonização dos outros arquétipos (que serão mencionados em outro momento).

Para que não se perca, um exemplo é sempre bem-vindo, não é mesmo? O Arquétipo do Self está de acordo com o seu estado atual, ou seja, quando você não está se sentindo bem, significa que o seu propósito de vida está em desordem, e deste modo, o Arquétipo do Self (que abrange o consciente e inconsciente) fica turvo.

Por outro lado, quando se está em processo de autoconhecimento, e o indivíduo amplia sua consciência, ele percorre o rio da vida com mais clareza nos seus objetivos. O Arquétipo do Self é o que governa a sua psique, e quando o inconsciente se torna mais consciente, não é qualquer coisa que irá tirar você do seu rumo, compreende?

O Ego

Para o processo de individuação acontecer, existe outra estrutura  importante para a psique que é o Ego. Ele é o centro da consciência, ou seja, qualquer conteúdo mental para se tornar consciente tem que se referir ao ele. Em outras palavras, o ego é você: são as emoções, pensamentos, idéias, sensações, percepções e etc. O ego é a sua vida, a sua caminhada, os seus tropeços, vitórias, falas e memórias. Ele é o que você sabe de si, e aquilo que você acredita não saber.

Deste modo, conclui-se que a personalidade é composta pela união do Self com o Ego, no qual o Self é o responsável pela psique como um todo, e o Ego, em gerenciar o que vem do inconsciente.

Como resgatar o tempo perdido?

Toda a criança é como um cientista, cheia dos porquês costuma recorrer aos mais próximos sobre as dificuldades com certas circunstâncias. A criança quer tocar, lamber, gritar, jogar, correr, misturar as coisas. Para onde estão voltados os seus porquês atualmente? Você se lembra que as tardes da sua infância duravam para sempre, e agora, enquanto adulto, suas tardes duram um piscar de olhos. Como resgatar o tempo?

Vivendo uma vida que era corrida demais, a vida te carrega e como consequência você deixa de ser o senhor do seu tempo. Isso custa um preço alto fisica, emocional e espirtualmente...não podendo deixar de mencionar a criatividade. 

Existe tempo para você?

Quando se está ansioso, estressado, a sua capacidade criativa some/sofre. Existem estudos que mencionam o ócio (o não fazer) como sendo algo que te leva a fazer.

A todo o momento existem cobranças vindas do trabalho, família, relacionamentos, e a tal sociedade. Foi dito e repetido a importância que se tem de provar que “tudo está sobre controle”, mas o controle existe?

Você tem que trabalhar, cuidar das metas dos serviços, cuidar da família...e manter o sorriso nas redes sociais. As contas precisam ser pagas. E no meio disso tudo, onde está a sua essência? Já chegou um momento de você refletir que a maneira como você está levando a sua vida não esteja de acordo com o que você gostaria?

"Eu vou mudar, desta vez será diferente"

Todos os começos são obscuros." - Buda

Realizar mudanças requer disciplina e atenção. Muita gente tem suas resoluções previstas para o ano seguinte ou para o início da semana (segunda-feira): "dessa vez vai ser diferente, eu vou mudar". Você tenta uma vez, tenta duas...e percebe o quão trabalhoso é, e a frase padrão ganha vida: "deixa para a próxima semana", "ano que vem eu vejo isso" ou “a culpa é de fulano”. Você esquece ou desiste. E cada vez se deixa de tentar fazer uma coisa que você sabe que vai fazer bem, um pouco de você morre, bem aí dentro da sua alma.

É possível se (re)encontrar em uma Clínica Terapêutica?

Embora todas as mudanças sejam difíceis, a disciplina inicial é importante para que a transição aconteça e como consequência, seja possível perceber o quão bem olhar para dentro é. A Terapia é um processo marcante para todos que a fazem; é vista por muitos como um passo doloroso devido às rememorações, por outro lado, proporciona mais discernimento sobre si, quando há a abertura para tal.

O que é mais importante: o resultado ou o percurso?

Foca-se muito no objetivo, no resultado final e esse é um dos grandes erros: o processo  é fundamental. É no ato da busca, é no caminho que se cruza que se descobre tal. O final torna-se irrelevante quando o importante é o engajamento com o processo de se expandir enquanto ser consciente. Assim como na vida, o processo de individuação não é linear: caminhos serão rompidos para outros serem construídos, seja de maneira positiva ou não. Desistências irão ocorrer para que outras atitudes sejam postas a frente. O ato de não querer fazer já é um ato.

O processo de individuação é não se finda. Será um processo enquanto houver vida.

Ao longo do seu trabalho, Jung trabalhou com a metáfora da semente da árvore: trazemos em nós uma semente do que podemos ser. Dependendo das condições do solo, de sol, terreno, essa semente se transforma em uma árvore. O processo de individuação é como uma semente, que quando nasce pode dar frutos. Por isso, Jung faz uso da árvore como símbolo do Arquétipo do Self.

Portanto, nos rituais da vida, quando existe uma felicidade interior pode-se dizer que é uma passagem dessa Individuação, que é um momento de Constelação do Self fundamental, sendo marcada pelas passagens da vida em determinados encontros na vida.  

A neurose, muitas vezes do sofrimento, chama para o realinhamento do ego essa totalidade do Self e uma retomada do processo de individuação. O analista junguiano, além de recorrer ao histórico do passado do cliente, ele também tem uma visão projetista do “para que” da Individuação do presente/futuro. Como dito anteriormente, este passo requer disciplina e autocuidado. Olhar para o interior é uma tarefa que exige coragem.

Você foi corajoso/a hoje?

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Minha prática envolve o acolhimento, cuidado, respeito, além da comunicação ativa tornando a sessão dinâmica e permitindo, assim, um espaço para o cliente falar sobre seus projetos de vida, sua busca pelo autoconhecimento e dificuldades encontradas no percurso.
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